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... «É nova, vae tão cêdo!»
Falam maguas nos olhos de quem passa...
Anda no ar um vento de Desgraça!
Amor, as tuas mãos... eu tenho mêdo!
13--Março 1916
+A vida é uma walsa...+
Naquela walsa que dansamos, lenta e linda,
Num baile onde, ao acaso, um dia te encontrei,
Sem qu'rer, fiz-te chorar. Eu lembro-me ainda!
Foi toda a minha vida... a walsa que dansei!
Senti a tua alma entrar dentro da minha;
E ouvi teu coração falar muito baixinho.
E ainda pressenti que a tua alma tinha
Anceios de contar soluços de carinho.
Sentindo as tuas mãos nas minhas a queimar,
Eu disse-te orações... e ouvi-te murmurar
Palavras que de cór meu peito diz ainda!
Vejo-te assim; juntinha a mim, d'olhos fechados...
Eu sinto que nós dois andamos abraçados,
Dansando devagar, aquela walsa linda!
1916
+Fria+
Qu'importa o teu olhar sêja tão lindo,
E tenha a côr da luz que tem o dia?
Qu'importa o teu sorriso doce, infindo,
Se és fria, como a pedra, fria, fria!
Qu'importa esse teu corpo, se não sente!?
A alvura do teu colo sempre a arfar,
Se não tem o calor que dá á gente,
A força p'ra viver e para amar?!
Amor, no teu olhar eu tenho lido aos poucos,
Anceios exquisitos, sonhos loucos...
E és fria como a louza em cemiterio!
Envolta nesse manto de Beleza,
Quando olho dos teus olhos a frieza,
Eu quedo-me a scismar nesse misterio!
1916
+Teus olhos falam maguas...+
Os teus olhos maguados dizem tanto!
Aos meus olhos, sem qu'rer, teem contado
As maguas, os sorrisos, mais o pranto,
Que teus olhos maguados tem chorado.
Teus olhos maguados vão no berço
Do meu peito, e dormem de mansinho.