Á Ventura, page 2 by Teixeira de Pascoais

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Logo ao nascer, os meus ouvidos infelizes!
Em chagas a sangrar assim os converteram
Estas palavras que nos deixam cicatrizes!

É ao ouvir, dentro do peito, soluçar
Desapiedada voz que só me diz adeus,
E me causa tristeza, e faz idealisar
Uma cruzada que conquiste novos céos!

É ouvindo essa voz, que em lagrimas chegara
Ao mais recondito logar do coração,
Onde um diluvio de repente se formara,
Que as Biblias do Amor em verso cantarão!

Que eu vou cantar, meus companheiros d'Aventura!
A facada que contra o peito nos vibrou,
Lá n'uma esquina d'este mundo, em noite escura,
A Sorte que funesta estrella nos dictou!

E que nos fez perder assim os patrios lares,
E nos deixou sem norte, errantes, vagabundos,
Abandonando-nos á furia d'esses mares,
Onde tentamos descobrir uns novos mundos!

E, quaes Telemacos entregues ao furor
Das tempestades e dos deuses vingativos,
Nós viajamos em procura d'um amor
Que vive longe... entre arvoredos primitivos!

Vive encantado, e simplesmente os leaes amantes
Têm para elle uma varinha de condão
Que, n'uma noite, os faz andar terras distantes
E um rochedo converter n'um coração!

O amor existe. É o eterno sol aureoral!
Que de flores esmalta nosso sentimento.
Quem fôr capaz d

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